Concepção de Número
Os povos primitivos fornecem uma
notável comprovação de que não alcançaram o grau de evolução suficiente
para contar com os dedos e que estão quase completamente desprovidos de toda
noção de número. Os habitantes da selva da África do Sul não possuem outras
palavras numéricas além de um, dois e muitos,
e ainda essas palavras estão tão desvinculadas que se pode duvidar que os
indígenas lhes atribuíssem um sentido bem claro.
Não há razões para crer que nossos
antepassados estivessem bem equipados, já que todas as linguagens europeias
apresentam traços destas antigas limitações: a palavra inglesa thrice,
do mesmo modo que a palavra latina ter, possui dois sentidos:
"três vezes" e "muito". Há evidente conexão entre as
palavras latinas tres (três) e trans (mais
além). O mesmo acontece no francês: trois (três) e très (muito).
No desenvolvimento dos nossos
ancestrais pelo estado mental das tribos selvagens atuais, concluímos que sua
iniciação matemática foi extremamente modesta. Um sentido rudimentar de número,
de alcance não maior que o de certos pássaros, foi o núcleo do qual nasceu nossa
concepção de número. Reduzido à percepção direta do número, o homem não teria
avançado muito. Através de uma série de circunstâncias, o homem aprendeu a
completar sua percepção limitada de número com um artifício que estava
destinado a ter influência em sua vida futura. Esse artifício é a operação
de contar, e é a ele que devemos o progresso da humanidade.