O sentido do Número
Nas épocas da evolução humana, mesmo nas mais atrasadas, encontra-se no
homem o sentido do número.
O sentido do número, em sua significação primitiva e no seu papel, não
se confunde com a capacidade de contar, que exige um fenômeno mental mais
complicado. Se contar é um atributo exclusivamente humano, algumas espécies de
animais parecem possuir um sentido rudimentar do número. Assim opinam os observadores
competentes dos costumes dos animais. Muitos pássaros têm o sentido do número.
Se um ninho contém quatro ovos, pode-se tirar um sem que nada ocorra, mas o
pássaro provavelmente abandonará o ninho se faltarem dois ovos. De alguma forma
inexplicável, ele pode distinguir dois de três.
As espécies zoológicas com sentido do número são muito poucas (nem mesmo
incluem os monos e outros mamíferos). E a percepção de quantidade numérica nos
animais é de tão limitado alcance que se pode desprezá-la. Contudo, isso ocorre
também no homem. Na prática, quando o homem civilizado precisa distinguir um
número ao qual não está habituado, usa conscientemente ou não, artifícios tais
como a comparação, o agrupamento ou a ação de contar. Essa última,
especialmente, se tornou parte tão integrante de nossa estrutura mental que os
testes sobre nossa percepção numérica direta resultaram decepcionantes. Essas
provas concluem que o sentido visual direto do número possuído
pelo homem civilizado raras vezes ultrapassa o número quatro, e que o
sentido tátil é ainda mais limitado.
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